Dependência econômica impede tensão maior entre EUA e China, dizem especialistas
A tese elaborada há mais de cinco anos pelo economista norte-americano Fred Bergsten de que o G2, um bloco formado por Estados Unidos e China, será o principal ator internacional neste início de século 21 tem recebido cada vez mais apoio de analistas. Essa convicção, porém, se viu abalada depois que os dois países se envolveram em quatro polêmicas em um intervalo de menos de dois meses (veja infográfico). Mas até que ponto essas polêmicas podem realmente prejudicar as relações entre os dois países?
Segundo Cristina Pecequilo, professora de Relações Internacionais da Unesp e autora do livro "A política externa dos EUA" , a China elevou nos últimos dias o tom contra os Estados Unidos porque considera que os norte-americanos estão interferindo em assuntos domésticos chineses: Taiwan (no caso da venda de armas) e Tibete (já que o presidente norte-americano, Barack Obama, confirmou que receberá o dalai-lama).
Sobre Taiwan, a professora acredita que a decisão dos Estados Unidos faz parte de uma concepção que os norte-americanos têm de “incomodar” a China, o único país atualmente capaz de atrapalhar sua hegemonia no mundo. Já no caso do Tibete, o motivo seria ideológico. “É uma tradição da política externa dos Estados Unidos levarem a democracia pelo mundo”, afirma Pecequilo.
Especialistas ouvidos pelo UOL Notícias acreditam que pouca coisa deve mudar na relação entre os dois países e os motivos para isso são dois: o primeiro, é que esse tipo de polêmica faz parte do jogo político internacional. O segundo, e principalmente, é o fato de existir uma forte dependência econômica entres os dois países.
“Eles [China e Estados Unidos] reclamam um do outro, mas isso não muda as relações entre os dois. Faz parte do jogo político. Mas, obviamente, há um desgaste natural”, acredita a professora.
Fator econômico
O principal fator apontado pelos especialistas para justificar que essas polêmicas diplomáticas devem ter poucos resultados na prática é a grande dependência que as economias dos dois países têm uma da outra.
“Existe uma dependência econômica entre os dois países. A China financia a dívida norte-americana e os Estados Unidos compram os produtos chineses”, explica a professora Pecequilo. Atualmente, a China é a maior detentora estrangeira de títulos públicos americanos, enquanto que os Estados Unidos são os maiores compradores de produtos chineses.
Para o historiador econômico Niall Ferguson, essa dependência é tão grande, que ele criou o termo “Chimérica” para explicar que, na verdade, as duas economias são uma só.
Apesar da dependência, Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos EUA entre 1999 e 2004, adverte: “Os Estados Unidos não podem engrossar [o discurso] porque a China pode prejudicar a economia norte-americana”.
Guerra Fria?
Em recente reportagem, o jornal espanhol “El País” perguntava se as tensões entre China e Estados Unidos poderiam desencadear uma nova Guerra Fria.
A professora Pecequilo é enfática ao afirmar que não existe esse risco. “A China não tem condições de fazer frente aos Estados Unidos”, afirma. Já Barbosa opina que, por enquanto, não há porque se preocupar com um possível conflito bélico. “Vai continuar existindo essa rivalidade entres os dois países, mas deve ficar restrita às áreas política e econômica, não deve chegar à área militar. Se isso vier a acontecer, será mais para a frente”, acredita.
Estados Unidos x China
Caso Google
O Google detecta ataques virtuais vindos da China contra o seu serviço de e-mail e ameaça deixar o país asiático embora não tenha acusado diretamente o governo chinês. Dias depois, a secretária de Estado dos EUA, Hillary clinton, cobra que a China investigue o caso. No dia seguinte, o governo chinês dá o troco e pede que os EUA "respeitem a verdade e que parem de usar a chamada liberdade na internet para fazer acusações sem fundamento contra a China".
Venda de armas para Taiwan
Os EUA anunciaram planos de vender US$ 6,4 bilhões (cerca de R$ 11,8 bilhões) em armas a Taiwan, considerada pela China uma "província rebelde". No dia seguinte ao anúncio, o governo chinês suspende os intercâmbios militares que mantinha com os norte-americanos. Apesar da medida, os EUA mantêm a decisão de vender as armas.
Visita do dalai-lama
Os EUA confirmam que o presidente Obama receberá o dalai-lama, líder tibetano que mora no exílio. No mesmo dia, o governo chinês disse que tal ato prejudicará as relações bilaterais entre EUA e China. Mais uma vez, os norte-americanos não recuam e mantêm o encontro.
Câmbio
Obama afirma que os EUA devem monitorar as políticas cambiais dos outros países para garantir que eles não tirem vantagem desleal ao desvalorizar suas moedas. Embora não tenha citado a moeda chinesa, o yuan, a mensagem é direcionada ao país asiático. Um dia depois, a China classifica de "injustas acusações e pressões" o discurso de Obama.
Carlos Iavelberg
Do UOL Notícias
Em São Paulo, 08/02/2010 - 07h00
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@wesleydemoura te ligo mais tarde. Ja estava mesmo pra te procurar. Abs e fia com Deus tbm.











